terça-feira, 26 de maio de 2015

Greve nas Universidades: Um ritual já conhecido. “E depois ? Estará tudo bem por aqui?

                O contexto Nacional demonstra uma conjuntura em plena crise. Crise essa que o Brasil de “Pátria Educadora” está longe de fazer jus a tal lema. A verdade que no mundo do trabalho não vai nada bem, constantemente vemos professores serem brutalmente chicoteados como escravos. Sem falar do descaso da educação, da alta inflação, carestia, corrupções dos entes públicos de alto escalão, sobretudo. Ainda exclusão social, alto índice de desemprego nos últimos governos. Tudo isso intensificou com a chegada da pseudo-esquerda (PT) no poder que fazem um governo assemelhado piorado. Ou seja: são governantes que seguem um modelo econômico Neoliberal, de Estado Mínimo, em benefício do grande capital e das elites, tendo por regra principal descomprometer o Estado como o setor público.
                Depois da atual crise, não é difícil chegarmos a conclusão de que todos os sindicados estão também cooptados. No entanto, podem ter nesses tempos difíceis uma importância redobrada. Isso porque a exploração a exploração aos trabalhadores nos mais diversos setores chegou aos limites suportáveis. A luta pela dignidade profissional torna-se necessário quando os salários não correspondem ao ofício que desempenham. Manifestar-se, fazer greve é o direito de toda categoria que se acha lesada pelo patrão, não importando se vão ferir direitos de outras categorias, no caso os estudantes, que já chegaram em greves a perder quase um semestre.
                Vale ressaltar que são greves dissociadas e descompromissadas com um movimento maior de luta pelos trabalhadores em gerais. São as chamadas “ Greves de Avestruz”, onde se coloca a cabeça num buraco e esquece o mundo a sua volta.
                Mas, isso parece normal, onde os próprios sindicatos encontram-se em crise conceptual. No dizer de Celso Furtado, perderam seu objetivo maior, a luta contra o capitalismo. Nessas duas décadas de perdas de identidades coletivas, de Ascenção social sem Ascenção: o individualismo é maior: “farinha pouca meu pirão primeiro”. Sem sua utopia devido o esfacelamento do socialismo real, os sindicatos passaram a burocratizarem, passaram por um processo de desideologização, deixando de lado seus referencias ideológicos de esquerda marxista, num mundo de incertezas ao extremo, optando pelo sindicalismo por “ele mesmo”. No entanto, nem no cristianismo existe a total desvinculação da defesa dos trabalhadores diversos, seja no catolicismo ou protestantismo.
                Na prática passaram a ser sindicatos reformistas. Se para Marx os sindicatos tinham como função básica tornarem-se escola do socialismo implantando uma paxes Anticapitalista nos mais diversos setores, os poucos sindicatos com expressão têm declarado-se coorporativos.
                O eco de mais uma greve nas universidades já soa nos ouvidos da sociedade civil. Sociedade essa que na maioria das vezes nem entende o porquê de tantas greves, confrontos com a polícia, muitas vezes, muitas greves ditas ilegais pela justiça, enfim nesses últimos anos muitos mecanismos de controle sobre os trabalhadores que lutam separados e sem muito sucesso.
Quanto às Universidades a preferência por estarem feudados nos muros de nossas instituições faz, dos professores, negadores de sua própria função história de comunicação e extensão com a sociedades. No mais que ficam mesmo é se “auto-flagelando nos portões”, fechando a passagem, perdendo a liberdade e formando os muros do conservadorismo.
                Pelo contrário, deveriam formar opinião com atitudes, sendo carro chefes da intelectualidade; manter uma opinião contra o sistema atual; elaborar racionalidades alternativas à do grande capital e nãqo mergulhar nas águas pútreas e sufocante deste.
                Deixamos claro que não somos solidário a greve, cujo o objetivo maior não seja a derrocada do sistema capitalista. O sindicalismo de resultado deve ser denunciado, pois limita-se a organizarem greves rituais por melhoria, não envolve todas instituições da sociedade, e dá conta a esta das ações grevistas. É somente salário por salário dentro do modelo econômico. Não podemos reivindicar uma universidade NOVA num país VELHO. A crise das universidades é consequência da crise do sistema. Melhorias imediatas não resolverão, pelo contrário, consolidam a ordem opressora. Pois esta transparece que é possível conviver com o estado burguês selvagem, bastando domesticá-lo oi humaniza-lo em prol  dos trabalhadores federais. O que propomos pode ser radicalização, mas radicalização é o cipó de aroeira que eles deram nos lombo dos últimos professores do Paraná.
                O alvo a ser criticado não são só as privatizações, o descaso pela educação, o arrocho salarial de todos trabalhadores, a falta de condições e de trabalho decente, a terceirização, as perdas de direitos líquidos e certos dos trabalhadores. Esses males têm suas causas no capitalismo que devem receber todo nosso repúdio.
                Por maiores que sejam as conquistas pelo sindicalismo de resultado e por mais radicais que se tornem esse movimento, se não questionar a ordem, todos apolíticos, conservadores e reacionários, pelegos, “vendidos”. O RITUAL DAS CREVES SERÁ NOVAMENTE FEITO AO deus CAPETALISMO, afim de obter novas melhorias que como um ciclo vicioso, acabarão com o tempo. Basta manobras econômicas inflacionárias para os reajustes e aumentos salariais findarem em nada.
O Reitor e os Pró-reitores, o comando grevista, os professores da Universidade Federal do Acre, devem  posicionarem-se a respeito desse sindicalismo e agir de forma clara conforme a posição escolhida. Já que esse ritual grevista além de prejudicar o andamento de todos cursos acabará mandando para o túmulo para alguns cursos e muito prejuízo ao futuro acadêmico de outros tantos  alunos.
                Nós acadêmicos da UFAC de modo geral, sofremos o atraso de nossa formação, sofremos a perda de nosso direito a férias e viagens, sofremos com ensino de pouca qualidade com professores deinterressados, faltas destes, teremos ainda as péssimas aulinhas enrolativas praticadas pela maioria ao enxugarem o conteúdo em trabanlhinhos superabusados. Além de tornarmos testemunha de que nada mudou depois desse movimento...a não ser a nova data para o início do ritual. Todo esse sacrifício seria válido caso o ciclo de interesses mesquinhos e fechados de greves chegassem ao fim.
                Reitor, servidores, e professores federais, acadêmicos e sociedade em geral, devemos partir para sempre para o tudo ou nada sempre! Nossa instituição deve torna-se com essa greve o centro de resistência contra o estatus quo. Deve inserir-nos nos movimentos populares e direcionar a luta em prol de um novo modelo de sociedade ANTICAPITALISTA  a fim de acabar com esse RITUAL DE GREVES CÍCLICAS. Queremos ser a UFAC na “praça”, lutando por conquistas imediatas apenas como um aspecto da luta geral: A destruição do estado burguês e emancipação política e social dos trabalhadores.
Diga não ao CAPETALISMO. Não ao corporativismo reformista.

               (Acadêmico de História - UFAC)

                

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Saúde: o Acre pede socorro!

 

“ Como nos centros populosos do Acre, apesar da carestia excepcional da vida, todo indivíduo com maior ou menor dificuldades, consegue alimentar-se de modo regular e os gêneros de consumo de Manaus e Belém, em grandes carregamentos nas épocas das águas, não diferem muito dos existentes naquelas praças. Nem pode a comissão ouvir sem repugnância atribui-se `a deficiência de alimentação e à má qualidade dos gêneros alimentícios a grande letalidade do Acre e as condições precárias de saúde dos trabalhadores desta região” (Trecho do Relatório de Oswaldo Cruz sobre a saúde em Rio Branco”)


Passados anos, mais de cem anos, e sabemos que o estado do Acre, não conseguiu desenvolver-se; pelo contrário agora mais populoso, sofre com a fome, miséria e doenças endêmicas ainda. Há quase duas décadas nas mãos do poder dos “Vianas” e mesmo sendo o atual governador médico, podemos ver com tristeza o pouco desenvolvimento nessa área: faltam médicos especialistas; há uma forte demora para atendimento na Fundação Hospitalar (de dois meses a seis meses de espera; faltam muitos medicamento nos postos de saúde; não há a emergência e o bom tratamento nas Huerbes ou Pronto socorros( tendo em vista que há PS em construção que virou elefante branco, nunca terminam, enquanto isto muitos pacientes ficam em filas nos corredores) e muitos outros problemas.
Nossa cidade aumentou, cresceu mesmo que desordenadamente, aumentou acidentes de trânsitos que requer bom e rápido atendimento o que nem sempre vemos.
Sabemos como Oswaldo Cruz observou que esse atraso, pobreza e miséria geram pessoas doentes. E o estado lhes tira o direito a uma vida mais digna e a saúde.
O direito a saúde é o direito a vida que está na Constituição, é o direito de ser humano, de sobreviver. O Estado por sua vez deve elaborar políticas públicas que priorizem o doente sem condições, sobretudo. No entanto, não vemos prioridade da União, estados e municípios.
Ademais nosso tratamento de esgoto é terrível, o que favorecem o aparecimento de doenças. Aqui no Acre existe a UPA- Unidade de Pronto Arrependimento. São filas de Arrependimento.  Há pouco tempo precisava-se os cidadãos dormirem em bancos e enfrentarem o descaso, pior que continua os agendamentos para os “peixes”, longas filas nos postos. Poucos médicos especialistas. Certa vez em trabalho tive a oportunidade de vê a frieza disso no P.S,era terrível! Mas aparece na mídia, às vezes aparece, um médico o médico e atual governador, que só tem “peixes”, onde o governo virou cabide de emprego até para filhos de correligionários que não querem fazer nada... O médico chega e diz ter sensibilidade: e o sofrimento nas filas? E a medicação do pobre que não tem?
Mas como dizia Manoel Bandeira aqui é Pasarga onde se for amigo do rei tem-se a mulher que quer na cama escolhida. Aqui é pasarga vem embora para Pasarga! O melhor lugar para se morar! Eu e você pagamos nossos impostos ou que só pagamos? .



sábado, 23 de maio de 2015

Vicente Gil: Em defesa do Marxismo

Palestra do professsor Gil Vicente (Ufac) sobre o Marxismo como paradgma teórico para explicar a realidade ainda hoje. Sabemos que que de tempo em tempo a sociedade capitalista entra em crise, de modo que Karl Marx, o maior estudioso deste modo de produção, vem a tona como ferramenta fundamental  nesses momentos tortuosos. Esse audio com participação de alguns professores da Ufac nos explica isto."Enquanto houver exploração do homem pelo homem, o fantoche do marxismo está vivo"

Endereço do audio da palestra em defesa do marxismo:

Cristianismo versus outras crenças e não-crenças

http://www.4shared.com/music/LRAyZTojce/Debate_gFm_.htm

Lamentável o fato ocorrido na última festa dos ateus, tendo como encerramento  uma infelicidade de uma queima de um Bíblia em publico. O povo cristão ou de berço cristão chocou-se, virando até notícia nacional. Ou seja vilipendiar símbolo religioso que constitue crime.
Sinceramente acho que não tem nada mais religioso do que o próprio ateísmo. Todos eles brincam de ser ateus. Dizer sou mago ou coisa assim, tal como agnóstico eu aceito. De todas religiões que estudei modestamente, só uma compara-se ao Cristianismo, onde detêm como líder um homem que era filho de cristãos protestantes, foi poeta jovem de líricas amorosas e fez diversas recitação ...da Bíblia nos seus 14 ou 15 anos. Virou mesmo a mesa hegeliana, rompeu com o idealismo de Hegel, diga-se de passagem, filósofo do embasamento Cristão moderno. Passou sabemos tem tese sobre isso a cultuar estátua de mulheres nuas, ao estilo dos gregos, haja vista que só retomou pontualidade do pensamento grego, puras poesias.
Satanista ou não fez muitos discípulos, hoje um terço se dizem marxista ou ainda defendem algo desse tipo, mesmo que mudado culturalmente. Para tanto, Karl Marx o gênio do estudo capitalista, apegou-se a Furbach, um materialista mecânico, materialista é materialista, todos iludidos e não conseguem se desprender nem um pouco. Da junção do estudo do Socialismo Francês com a parte da economia inglesa, veja que tudo está pronto e elaborado, para compor as três partes constitutivas do marxismo: que viria a dominar o pensamento de um terço da humanidade. Militou, publicou obras primárias até chegar ao livro principal O Capital. Mas sua tese principal esqueceu que o trabalhador pode ser conservador.
 Além de sua aplicação ter levado a sistemas tão péssimos e sanguinários da mesma forma que o Capitalismo, este que sofreu influência e aprendeu e apoiou regimes ditatoriais na América Latina.
E cada vez que vocês leem Nietsche, pensam como ateu, porém ele não conseguiu fugir em suas obras, puras posais filosóficas, do Cristianismo. Tanto que defendia o homem livre e suas potencialidades, ou seja o livre arbítrio de Deus. Escreveu uma das obras Além do bem e do Mal, ou seja Deus versus o Inimigo. em Assim falou Zaratustra defende o Super.- homem, perfeito a ser seguido, que na verdade era Deus.
Hoje e sempre Deus faz parte do homem, de sua espiritualidade. Caso não houvesse descoberto a Luz elétrica, que antes de chegar ao Brasil creio já havia sido patenteado, estávamos quase na mesma condição da Idade Média, hoje monetarizada. Nossa única revolução foi a de 30 e 64, das quais colhemos frutos em atraso. Somos historicamente comprovados a crer que não existe teoria da evolução, e se tem é só teoria.
Nascemos no Crescente Fértil Oriental, mas não creio ter havido evolução cerebral-física, e sim degradação. Hoje somos a síntese da humanidade do sincretismo prático de invenções. A história mente como outras ciências, pois são meias verdades e Deus está atrás das evidências científicas. Deus está em tudo! E a ciência não se contradiz da religião. Enfim de uma vida inteira seja em palácios ou casebres, de deleites, prazeres, incondicionalmente de poder material. Estamos numa Matrix mental do pecado ou fora, e mecanicamente também. Daí os mecanismos, todos eles: sistema religioso, econômico, sexual, e excluídor de muitos, não mudará será pior com revolução ou não. Tudo acaba com a morte, sendo que certeza ou incerteza é se para o inferno ou Céu. Thomas Hobes menciona O Leviatã, O Estado, que tem dono seus servidores gerais, em escalas de poder, cultura, etnia, enfim e sociedades secretas, poder em escala, sociedade disciplinada, de controle e muitas mentiras. O que se vê não é real, no sentido que Deus ainda se manifesta nas coisas, nas manifestação, Ele é o motor da História. Ele é real, podem crer!
Nesse sentido, o debate que ocorreu aqui na FM 93.3 foi bem vindo diante do possível fundamentalismo, bem como o radicalismo por parte de ateus. Os seres humanos são aglomerados de religiões, crenças e espiritualidades...isso para que não saiamos intolerantemente matando-nos uns aos outros. Que se fortaleça o diálogo, a democracia e a fé!!


Sena Madureira se divide entre o progresso e o atraso social

FONTE: http://www.jornalatribuna.com.br/arte_final.htm Com o terceiro maior PIB (Produto Interno Bruto) do Acre, da ordem de R$ 234,3 milhões, Sena Madureira, às margens do rio Iaco e a 145 km de Rio Branco, é um município que vive o contraste de um meio urbano desenvolvido e um meio rural ainda a dever muito em termos de desenvolvimento econômico e social.Enquanto sua população, principalmente a da cidade, desfruta da segunda maior expectativa de vida do estado, o seu meio rural contribui para que a taxa de analfabetismo se situe na faixa dos 34% da população, a 14ª maior do estado, que atinge 23,7% de seu contingente populacional. O município continuará sendo administrado, a partir de primeiro de janeiro próximo, pelo prefeito reeleito Nilson Roberto Areal de Almeida (PR), 46 anos, casado, curso superior completo e natural de Sena. Reeleito com 53,73% dos votos válidos do terceiro maior colégio eleitoral do estado, Nilson Areal contará com a colaboração do vice-prefeito e atual vereador Jairo Cassiano Barbosa (PMN), 34 anos, casado, ensino médio incompleto e também natural do município. De acordo com dados do anuário “Acre em Números 2007-2008”, do governo estadual, a população do município também era, no ano passado, a terceira maior do estado, com 34.230 habitantes, morando 21.356 na cidade e apenas 12.874 no meio rural, o que lhe conferia uma taxa de urbanização de 62,39%, a quinta mais elevada do Acre. Em 2006, da população rural, 8004 habitantes eram de ribeirinhos dos rios Iaco, Caeté e Macauã. No mesmo ano, sua população indígena, de 966 indivíduos das etnias Jaminawa, Kaxarari, Manchineri e outras, de 14 aldeias, assumia o sétimo lugar no ranking indígena acreano. A área total do município é de 2,37 milhões hectares, considerada a segunda maior do estado, da ordem de 16,4 milhões de hectares.Sena Madureira tem sua economia baseada principalmente na agropecuária (46,12%), a sexta maior dependência deste setor entre os 22 municípios acreanos. O município depende, ainda, para viver dos setores da administração pública (28,88%), dos serviços (19,89%) e da indústria (5,11%). No ano passado, a produção de borracha de Sena foi de 197 toneladas, a quarta maior do Acre, e a criação de gado chegava em 2006 a mais de 186 mil cabeças, o quinto maior rebanho estadual. A produção de leite de gado era de 3,3 milhões de litros, a sétima maior do estado. Em 2005, o PIB do município era de R$ 234,3 milhões, 5,2% do PIB estadual, que resultava num PIB per capita da ordem de R$ 7.105,00, o sexto maior do Acre. No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido pela última vez no ano 2000, Sena apresentava indicadores medianos em relação ao conjunto dos 22 municípios acreanos. Numa escala de zero a 1, o IDH do município era da ordem de 0,652, o 11º entre os municípios e inferior ao índice do estado, da ordem 0,697. Para chegar a esse IDH, Sena apresentou IDH-R (de Renda) de 0,554, apenas o 13º maior do estado (de 0,640); IDH-L (de Longevidade) de 0,723, surpreendentemente o segundo maior do Acre (0,694); e IDH-E (de Educação) de 0,678, apenas o 12º maior do estado (0,757). Ainda devendo na saúde e na educaçãoA qualidade das escolas da capital do Iaco, também conhecida como a cidade do mandim, foi medida, em 2006, com todas as 173 unidades existentes dispondo de água tratada, mas apenas 95 com esgotamento sanitário e só 34 dispondo de energia elétrica.Na mesma época, a situação da saúde no município podia ser medida pela cobertura de 55,8% do Programa de Saúde da Família (PSF), pela aplicação de recursos próprios no setor de apenas 15,38% (a sétima menor aplicação entre os municípios) e pela despesa per capita na área de apenas R$ 133,99 (a oitava menor).Em 2007, o Pronager promoveu um curso, que capacitou apenas 15 pessoas. Com duas emissoras de rádio, duas agências e 10 postos bancários, Sena possuía no ano passado 136 telefones públicos e 1.397 fixos, terceira maior quantidade do estado, além de uma frota de veículos de 1.848 unidades, a quarta maior entre os municípios. Seu consumo de energia foi de 15,1 milhões de quilowatts/hora por 6.758 consumidores, o terceiro maior contingente. O município dispõe, também, da maior área de terras do Acre para projetos de reforma agrária. Mais de 1,42 milhão de hectares foram usados para assentar o total de 2.939 famílias, o segundo maior contingente acreano.Também é elevada a participação do município na arrecadação e no repasse de recursos provenientes de impostos. No ano passado, Sena Madureira arrecadou R$ 1,44 milhão em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a sexta maior arrecadação estadual; e teve repasse de R$ 3,1 milhões do mesmo imposto, o quarto maior. O município também recebeu repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) de R$ 5,8 milhões. Sena Madureira também participou da balança comercial do Acre exportando no ano passado US$ 81.555,00.

Contra fundamentalismo religioso e pelo Estado laico, intelectuais lançam manifesto O grupo afirma ver com preocupação o avanço da influência religiosa nas tomadas de decisões por parte de instituições públicas Fábio Pontes, Da ContilNet Notícias 22/05/2015 16:05 Atualizado às 22/05/2015 16:16

Um grupo formado por pensadores da sociedade acreana divulgou nesta sexta-feira (22) manifesto contra o que eles consideram uma ameaça ao Estado democrático de direito no Acre, e o avanço do fundamentalismo religioso nas principais instituições que deveriam zelar pelo laicismo.

Assinado por advogados, jornalistas, desembargador aposentado e integrantes da classe artística, o documento critica a forma desproporcional como o vocalista de uma banda de rock, que queimou a Bíblia em um sarau universitário, foi atacado por segmentos da sociedade, sobretudo os protestantes, em alguns casos contando com o apoio de instituições do Estado.

O grupo afirma ver com preocupação o avanço da influência religiosa nas tomadas de decisões por parte de instituições públicas que deveriam zelar pela imparcialidade e o princípio do Estado laico. Apesar disso, o grupo preferiu não procurar órgãos do Estado para apoiar o manifesto para evitar a sua “politização”.

A Defensoria Pública é a única instituição estatal a apoiar o documento. O desembargador aposentado Arquilau de Castro Melo também assina o manifesto. O padre Massimo Lombardi é um dos poucos líderes religiosos a integrar o grupo.

Leia na íntegra:

MANIFESTO EM REPÚDIO A INTOLERÂNCIA FUNDAMENTALISTA E EM DEFESA DO DIREITO À DIVERSIDADE

Nós artistas, intelectuais, ativistas culturais, militantes de movimentos sociais, de entidades de direitos humanos, trabalhadores, estudantes e desocupados, diversidade viva, pensante e atuante, nos reunimos para, a partir do episódio da performance da queima da Bíblia em show na Universidade Federal do Acre e sua repercussão desproporcional, manifestar nosso repúdio à toda forma de intolerância fundamentalista assim como nossa defesa do direito à diversidade.

Mesmo que a heterogeneidade de que se compõe o grupo esteja longe do consenso sobre se o ato que buscou a contraposição a posicionamentos religiosos fundamentalistas intolerantes (a diferentes modos de se pensar, de se amar, de se ser, de se comportar) tenha adotado a forma de crítica mais adequada para atingir seu objetivo, consideramos que devemos esclarecer ao grande público que o objetivo da performance enquanto linguagem artística é o de incentivar a reflexão, o que muitas vezes ocorre através do impacto que causa nos espectadores, assim como que nada justifica os atos completamente desproporcionais de que o autor da performance tem sido vítima.

A despeito do vocalista da banda ter se retratado e pedido desculpas públicas, não somente ele tem sido vítima de um linchamento virtual nas redes sociais como tem sido ofendido e ameaçado por todos os locais públicos por onde passa, recebendo desde ameaças de violência física a ameaças de morte. Foi demitido da lanchonete onde trabalhava como garçom para custear o curso de filosofia na UFAC e para ajudar nas despesas da casa num bairro periférico onde mora com sua tia que o acolheu após Roberto ter ficado órfão. As ameaças tem se estendido aos seus familiares que andam agora amedrontados pelas ruas, chegando ao ponto de sua prima/irmã ter que excluir seu perfil nas redes sociais devido às agressões constantes.

Temos a convicção de que apesar da disposição para a prática de atos de barbárie como os que presenciamos não seja mais característica da maioria da população como foi no passado, isso lamentavelmente não impede tais atitudes hoje minoritárias de destruir a vida não somente de uma pessoa como uma família, ou mesmo o perigo de se transformar em uma onda incontrolável de intolerância com consequências incalculáveis que causem danos irreversíveis à própria sociedade, assim como consideramos que intervir para que práticas bárbaras mais comuns ao séc. XI não se reeditem em pleno séc. XXI seja nosso dever enquanto cidadãos apegados aos princípios da vida civilizada.

Queremos deixar bem claro que nossa atitude de lançar um manifesto em defesa do direito à diversidade não quer dizer nem que sejamos nem que queiramos ser iguais aos grupos que querem impor suas particularidades/singularidades à totalidade de uma sociedade heterogênea/plural, mas que, pelo contrário, defendendo o princípio de que somente a garantia do direito à diversidade pode conduzir a uma sociedade onde os direitos iguais para todos sejam não somente uma mera formalidade da letra morta do direito abstrato mas a vivência concreta e substancial de uma igualdade que possa ser realmente compartilhada por todos.

Ao invés do sentimento revanchista de propor retaliação aos retaliadores, propomos com a nossa própria prática uma mudança de concepção que conduza a uma superação da mentalidade maniqueísta que divide os diferentes, pela concepção de que a melhor forma de se contrapor ao fundamentalismo é demonstrar através de nossos próprios atos, através da nossa própria existência enquanto grupo formado pela unidade da diversidade, cuja própria existência já se constitui na vivência concreta de uma experiência potencialmente transformadora da realidade que possa se expandir contínua e indefinidamente, como mais um dentre outros importantes passos na caminhada em direção à construção da concepção de uma nova etapa de aprofundamento da convivência democrática.

Desta forma, nós heterossexuais e homossexuais; agnósticos, ateus, religiosos não praticantes e praticantes; umbandistas, candomblecistas, daimistas, espíritas, protestantes e católicos; brancos, negros, pardos e índios; brasileiros e estrangeiros; altos, baixos, gordos e magros; nós enquanto pluralidade orgânica estamos todos unidos em meio às nossas diferenças para manifestar nossa convicção de que o mundo é grande o suficiente para que todos possamos viver em paz através da garantia do direito à diversidade.

Rio Branco, Acre, 15 de maio de 2015


Entidades

•    Defensoria Pública Geral do Estado do Acre
•    Grupo Experimental de Teatro de Rua e Floresta Vivarte
•    Festcine Amazonia, RO
•    Coletivo de Ativismo Feminista Odara
•    Diversidade Coletiva
•    Festival Internacional Pachamama – Cinema de Fronteira
•    Rede Banzeiros
•    Saci Produções, AC
•    Lente Viva Filmes, SP
•    Cia. Garatuja de Artes Cênicas
•    Grupo Capim Limão
•    Facção Urbana – Grupo de RAP de Rio Branco
•    Arame Farpado – Banda de Punk Rock
•    Psicofloral – Banda de Rock Alternativo
•    Resistência HC – Banda de punk/hardcore


Pessoas

1.    Fernando Morais, Defensor Público-Geral do Estado do Acre
2.    Arquilau Melo, Desembargador
3.    Raimunda Bezerra da Silva – Coordenadora do CDDHEP
4.    Padre Massimo Lombardi
5.    Karla Kristina Martins, contadora de história e atriz
6.    Jose de lima kaxinawa (Zezinho Yube), cineasta indígena
7.    Francis Mary Alves de Lima, advogada
8.    Flavia Nascimento Oliveira, Defensora Pública
9.    Cassiano Marques de Oliveira, empresário
10.    Sérgio Areal Souto – Músico/compositor
11.    Altino Machado, Jornalista
12.    Gomercindo Rodrigues, Advogado
13.    Odilardo José Brito Marques, Advogado.
14.    Leandro Chaves, Jornalista
15.    Moises Ferreira Alencastro, Advogado e Ativista social
16.    Laísse Barbosa, psicóloga
17.    Cristina Messias - Assistente Social
18.    Márcia Aurélia Santos Pinto – Psicóloga
19.    Joelma Silva – Psicóloga
20.    Kariny Costa Gonçalves – Psicóloga
21.    Kleber Frota - Psicólogo
22.    Armando Cezar da Silva Pompermaier – Professor
23.    Gabriela Antonia da Costa Souza - Bióloga
24.    Solene Oliveira da Costa - Comerciante
25.    Ukla Vieira de Souza – Estudante
26.    João Jair Ruiz – Professor e Acadêmico de Direito
27.    Adão Araújo Galo Júnior – Professor
28.    Marcelo Cordero Quiroga – Cineasta
29.    Clemilson Farias, Produtor Cultural
30.    Laélia Maria Rodrigues da Silva, Professora e Artista Plástica
31.    Eduardo Di Deus, Doutorando em antropologia – UnB
32.    Diego Lourenço Gurgel, Fotógrafo
33.    Sebastian Morales, Crítico de Cinema, Bolívia.
34.    Sergio Zapata, Critico de Cinema, Bolvia
35.    Itala Batista, Estudante de Jornalismo UFAC
36.    Flávio Lôfego Encarnação, Diretor teatral e empresário
37.    Eurilinda Maria Gomes Figueiredo, professora
38.    Maria Luiza P. Ochoa, arqueóloga e indigenista
39.    Sérgio de Carvalho, Cineasta
40.    José Carrillo, crítico de cinema, Peru
41.    Dedê Maia (Djacira Maia de Oliveira), Técnica Indigenista Especializada
42.    Jaycelene Maria da Silva Brasil, professora e socióloga
43.    Camila Cabeça, produtora cultural
44.    Regina Maciel, atriz
45.    Hélio Moreira da Costa Júnior, Professor UFAC
46.    Valéria Santana da Silva, professora e jornalista
47.    Jaidesson Peres, jornalista
48.    Cicero César de Farias Franca, Cantor, ativista cultural
49.    Fernanda Kopanakis, Produtora Cultural
50.    Jurandir Costa, Cineasta
51.    Saskia Sá, Cineclubista e produtora cultural, Vitória ES
52.    Juliana de Paula Machado, produtora cultural
53.    Mariana Braga, produtora cultural
54.    Vera Olinda Sena de Paiva, educadora e indigenista
55.    Kevin Tomé de Souza e Silva - Produtor Cultural/Fotógrafo
56.    Kelen Mendes, cantora
57.    Vanessa Oliveira de Souza,(Vanessa Napiame), cantora. Diretora do Grupo Capim Limão.
58.    Felipe Gomes Zanon - Presidente da Associação de Ateus e Agnóstico do Acre, Licenciado em história e acadêmico de direito da Ufac
59.    Priscila Viudes, Jornalista .
60.    Clarice Viudes de Abreu, Estudante
61.    Leonardo Lani de Abreu, Professor/Funcionário público
62.    Dercy Teles – Sindicalista
63.    Jorge Neto de Andrade Nobre – Professor e rapper
64.    Clodoaldo Cristiano Ferreira Custódio (Dodô) – Motorista e rapper
65.    José Rodrigues da Silva Filho (Déda) – Técnico em saúde e vocalista
66.    Leandro Altheman Lopes – Jornalista
67.    Dalcimara Santos Silva – Estudante de Artes Cênicas
68.    Tassio de Assis Ramos Lopes – Técnico em informática, estudante
69.    André Luiz Gomes de Lima – Tec. Redes de computadores, estudante
70.    Ada Cristina Nunes Azevedo – Professora
71.    Fabricio Monteiro da Silva - Analista de redes
72.    Karine Diógenes Portela da Costa – Professora
73.    Irene Garcia Roces – Estudante
74.    Italva Miranda da Silva – Professora
75.    Maurício Mesquita Cunha – Professor/vocalista
76.    José Janes Gomes da Silva – Sindicalista
77.    Nângela Maria Luna Pereira – Bombeiro Militar
78.    Francisca Janaína Araújo de Oliveira – Professora
79.    Gregório Dantas Mendes – Professor
80.    Kelen Gleysse Maia Andrade Dantas – Técnica em assuntos educacionais
81.    Jaidesson Peres – Jornalista
82.    Denise Moreira Carneiro – Bióloga
83.    Ramon Arruda Braz – Agente administrativo
84.    Israel Pereira Dias de Souza, Cientista político, professor e pesquisador
85.    Sérgio Roberto Gomes de Souza, Professor, pesquisador
86.    Francisco Marnilson Neris da Silva, Administrador/músico
87.    Dyonnatan Silva Costa, Estudante/músico
88.    Lucas Prando da Silva, Professor
89.    Maria José Bezerra, Professora
90.    Blenda Cunha Moura, Professora
91.    Samyr Alexssander Farias Leite, Funcionário Público
92.    Hosana Piccardi, Bióloga
93.    Hérica Araújo do Nascimento, Funcionária Pública
94.    Anne Jamille Araújo Liesenfeld, Funcionária Pública
95.    Kétila Araújo da Silva, Estudante
96.    Joey Sampaio, Estudante
97.    Mirna Amoêdo Lima,Professora
98.    Antonio da cruz da Rocha Alves
99.    Servidor público e militantes dos movimentos sociais.
100.    Marine Ide da Silva Maia,Atriz e produtora
101.    Oneide Andrade Araújo, Bancária
102.    Elane Cristina Almeida da Silva,Socióloga
103.    Maria do Perpétuo S. P. Gonçalves,Professora
104.    Kennedy de Albuquerque Batista, Professor
105.    Salon Ismael Cabral Feitosa, Monitor educacional
106.    Maíra Menezes Bezerra Araújo - Estudante e Servidora Pública
107.    Magno Wesley Alves Sales - Técnico em Gravação Musical
108.    Gildson Góes Alencar de Oliveira - Gestor de Políticas Públicas
109.    Wesley Diógenes Matos - Funcionário Público
110.    Ana Luiza de Lima Silva – Estudante
111.    Lidianne Lima Cabral - Produtora Cultural e Gestora
112.    Remilson Queiroz Júlio  - Estudante

PROJETO DE REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE HISTORIADOR APROVADO NO SENADO

No dia 7 de novembro foi aprovado no Senado Federal o projeto de Regulamentação da Profissão de Historiador (PLS 368 de 2009). A aprovação resultou do esforço da Diretoria da ANPUH-Brasil que, cumprindo determinação da Assembléia Geral da entidade realizada em São Paulo no mês de julho do ano passado, tem envidado esforços para que essa meta seja atingida.

No dia 6, o presidente da ANPUH-Brasil deslocou-se para Brasília a fim de solicitar apoio dos senadores à medida, bem como seu empenho em inseri-la na Ordem do Dia do Senado, já que o projeto havia tramitado em todas as comissões necessárias, restando apenas ser votado em Plenário.

Foram visitados os gabinetes dos seguintes senadores: Jarbas Vasconcelos, Ciro Nogueira, Clésio Andrade, João Capiberibe, Eduardo Suplicy, Jayme Campos, Sérgio Souza, Antonio Carlos Valadares, Magno Malta, Álvaro Dias, Paulo Paim e Ana Amélia Lemos. Fomos recebidos ou diretamente pelos senadores (Capiberibe, Suplicy, Dias e Malta) ou por seus assessores. Todos se mostraram favoráveis ao projeto e prometeram trabalhar para a sua aprovação.

Ao final do tarde, a Senadora Ana Amélia, apoiadora da causa, foi mais além e encarregou-se de solicitar, naquele mesmo dia, a inclusão da votação da matéria na Ordem do Dia, o que foi acatado pelo presidente da sessão, Senador Paulo Paim, autor do Projeto. Iniciadas as discussões, manifestaram-se contrariamente ao projeto os senadores Aloysio Nunes Ferreira e Pedro Taques. 

O Senador Ferreira, inclusive, se manifestou oralmente em oposição à proposta, considerando "um profundo equívoco" dar exclusividade em atividades de ensino e pesquisa, seja em graduação ou pós-graduação, apenas para quem tem formação em História. Na opinião do parlamentar, a situação cria "absurdos" como impedir que economistas, sociólogos, diplomatas ou outros profissionais qualificados ministrem a disciplina, havendo o risco de "engessar" o ensino da História. Citou inclusive os nomes dos eminentes intelectuais Evaldo Cabral de Mello e Alberto da Costa e Silva como pessoas que ficariam impedidas de escrever e lecionar sobre o tema.

Ora, tal posicionamento expressa, ao nosso ver, desconhecimento do teor do projeto, já que o que se pretende não é impedir ninguém de escrever ou se manifestar sobre o passado, mas sim assegurar a presença de historiadores profissionais, com formação específica, nas instituições que realizem pesquise e ensino de História. Além disso, pelo raciocínio do Senador, não seria um problema a situação que, infelizmente, ocorre hoje, na qual, em diversos espaços profissionais, historiadores acabam tendo que lecionar Geografia, Sociologia, Artes, entre outras matérias, sem terem conhecimentos específicos para isso (e vice-versa), o que certamente prejudica a formação dos estudantes dos variados níveis de ensino.

Também por analogia, poder-se-ia, caso a perspectiva do Senador fosse correta, pensar que grandes atletas teriam a possibilidade de lecionar Educação Física nas escolas, sem possuírem para isso conhecimentos de Anatomia, Fisiologia, Movimento Humano, Pedagogia, entre outros, apenas a sua prática em determinados esportes (não é à toa que muitos atletas percebem tal lacuna formativa e, em algum momento de sua carreira, ingressam em cursos de Educação Física). Por fim, nem é preciso dizer o quanto a ANPUH reconhece e admira o trabalho de estudiosos como Cabral de Mello e Costa e Silva e sua contribuição à historiografia brasileira, inclusive convidando-os a participar de eventos promovidos pela entidade.

Já a senadora Ana Amélia defendeu o projeto ao ler relatório do senador Flexa Ribeiro, em que este declara que "a omissão do legislador pode permitir que pessoas inabilitadas no exercício profissional coloquem em risco valores, objetos ou pessoas".

Ao final, como ressaltado, o projeto foi aprovado com o apoio de todos os líderes partidários. Por essa razão, as visitas do dia seguinte foram canceladas, mas mesmo assim registramos nosso apoio aos seguintes senadores que se disponibilizaram a nos receber: José Pimentel, Zezé Perrella, Renan Calheiros, Lúcia Vânia, Cacildo Maldaner, José Agripino, Luiz Henrique da Silveira, Wellington Dias, Antonio Carlos Rodrigues, Aníbal Diniz, Lídice da Mata, Alfredo Nascimento e Pedro Taques (que, acreditamos, teria compreendido melhor o teor do projeto se tivéssemos tido a oportunidade de conversar antes da votação).

Ressaltamos, contudo, que a nossa luta deve ter continuidade, pois a matéria segue agora para votação na Câmara dos Deputados. Por isso, solicitamos às/aos colegas que pressionem os deputados de seus estados em prol da celeridade da tramitação e, é claro, da aprovação do projeto.

Nesta articulação, foi fundamental o apoio do colega historiador Marcos Ronaldo F. de Araújo, também presidente da Associação dos Servidores do Ministério Público Federal, que gentilmente ajudou na articulação parlamentar no Senado.
PARABÉNS A TODOS NÓS!!!

PROFISSÃO DE HISTORIADOR: MARCHA DA INSENSATEZ OU DO DESCONHECIMENTO?

Nós, historiadores profissionais, sabemos que uma das regras básicas do nosso ofício é a elaboração de um discurso de prova, assentado na pesquisa e na crítica dos vestígios do passado, os documentos . Fernando Rodrigues, por não ter essa formação, talvez desconheça essa regra tão elementar e, por isso, não se deu ao trabalho de ler com atenção o documento que deveria balizar a sua análise (sic) publicada no jornal Folha de São Paulo de 10 de novembro de 2012: o Projeto de Regulamentação da Profissão de Historiador, aprovado no Senado Federal na última quarta-feira. Em nenhum momento este projeto veda que pessoas com outras formações, ou sem formação alguma, escrevam sobre o passado e elaborem narrativas históricas.

 Apenas estabelece que as instituições onde se realiza o ensino e a pesquisa de História contem com historiadores profissionais em seus quadros, por considerar que, ao longo de sua formação, eles desenvolvem habilidades específicas como a crítica documental e historiográfica e a aquisição de conhecimentos teóricos, metodológicos e técnicos imprescindíveis à investigação científica do passado. Da mesma maneira, a regulamentação pode evitar que continuem a se verificar, nos estabelecimentos de diversos níveis de ensino, situações como a de o professor de História ser obrigado a lecionar Geografia, Sociologia, Educação Artística, entre outras disciplinas, sem ter formação específica para isso (e vice-versa).

Temos certeza que o Senador Cristovam Buarque, tão sensível aos problemas da educação brasileira, apóia esta idéia, pois ela possibilita um ensino mais qualificado.

Temos certeza também que o Senador José Sarney, conhecedor do teor do projeto, está tranqüilo, pois sabe que não vai ser impedido, como nenhum cidadão brasileiro, de escrever sobre a história de seu estado, ou de qualquer período, indivíduo, localidade ou processo. Isso atentaria contra as liberdades democráticas, das quais os historiadores profissionais são grandes defensores.

Fique tranqüilo senhor Fernando Rodrigues, o senhor também poderá escrever sobre história. Só sugerimos que leia os documentos necessários antes de o fazer.

Benito Bisso Schmidt 
Presidente da Associação Nacional de História – ANPUH-Brasil
(Gestão 2011-2013)


A ANPUH E O ENSINO DE HISTÓRIA

A segunda secretaria da Anpuh, responsável pelo Fórum de Graduação, juntamente com a atual coordenação do GT Nacional Ensino de História e Educação, tem procurado, desde sua constituição, estabelecer princípios norteadores conjuntos para o desenvolvimento de suas ações, cujas diretrizes foram definidas na reunião nacional, acontecida em março de 2012.

Neste sentido, temos ouvido as demandas dos colegas das distintas regiões do país e assumimos as ações da 2ª secretaria apoiando firmemente a atuação do GT Nacional em sua articulação para construção coletiva e articulada dos GTs estaduais. Seguindo esses princípios, temos atuado em diversas frentes: acompanhando e participando o debate das Políticas Públicas que afetam o ensino de História; estimulando a participação dos professores da Educação Básica por meio de campanhas de mobilização; fortalecendo a articulação interna da entidade, por meio do fomento dos GTs estaduais (nesse sentido, foram criados ou reativados 09 GTs estaduais); e constituindo um eixo de pesquisa vinculado ao GT, por meio do Projeto Panorama.

Recentemente, uma série de eventos trouxe à baila discussões sobre o lugar da disciplina História no currículo da Educação Básica e o espaço da pesquisa na área do ensino de História, nas instituições de Ensino Superior, em particular, nos cursos de História. O edital para um concurso de professor para a área de Ensino de História na Universidade Estadual do Ceará, que excluía a participação de doutores em outras áreas, alimentou um importante debate relativo ao perfil dos profissionais que atuam na área e ao sentido de manutenção de uma área de pesquisa, que, infelizmente, ainda parece não obter reconhecimento em certos segmentos acadêmicos. Por outro lado, a difusão das "Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio" a partir das discussões a respeito do "mau" desempenho das escolas públicas no ENEM, deu-se em meio a uma discussão enviesada que apontava para o suposto inchaço do currículo e a necessidade de "fusão" das disciplinas em áreas, trazendo à baila a possibilidade de esvaziamento e destituição das disciplinas de seus estatutos específicos de cientificidade. Essas discussões, que acenderam debates sobre a possibilidade de "retorno" de uma formação aligeirada em Ciências Humanas e um novo movimento de reformas do Ensino Médio, têm sido objeto das preocupações da ANPUH-Brasil.

Por isso, recentemente, a 2ª secretaria, por intermédio do GT, e em nome da Direção Nacional, solicitou reuniões junto ao MEC, a CAPES e ao Conselho Nacional de Educação (CNE), para solicitar informações sobre as reformulações em curso e discutir os rumos das políticas públicas que afetam o ensino de História. Para representar a ANPUH nessas reuniões foram indicados os membros GT de Ensino de História e o Prof. Carlos Augusto Lima Ferreira. Essas reuniões ocorreram todas no dia 01/10/12 em Brasília.
As pautas das reuniões foram diferenciadas, segundo uma agenda específica previamente acertada com cada um dos órgãos. Na CAPES, nos reunimos com o coordenador do PIBID, Prof. Helder Eterno da Silveira. Discutimos o PIBID na área de História e expressamos a intenção de organizar um evento de caráter nacional, em articulação com outras entidades, que reúna as experiências desse programa, com o objetivo de refletir sobre os resultados do programa na Educação Básica e os impactos nos cursos Licenciatura de História. No MEC nos reunimos com a Diretora de Currículos e Educação Integral, a Profa. Jaqueline Moll, e com a Coordenadora Geral do Ensino Médio, a Profa. 

Sandra Garcia, para tratarmos da pauta da reforma do Ensino Médio e os caminhos indicados pelos debates em torno do ENEM. Expressamos a preocupação da entidade de que a reforma induza as redes de ensino a suprimirem as disciplinas criando áreas amorfas e descaracterizadas. Segundo a equipe do MEC, a intenção não é realizar uma reforma que trabalhe com essa perspectiva para as redes, mas sim fomentar um debate preliminar no MEC sobre os desdobramentos das novas diretrizes curriculares, que tem sido feito na perspectiva dos "direitos de aprendizagem" dos alunos. Segundo o MEC o objetivo é ampliar esse debate e, na ocasião, convocou a ANPUH – como entidade coletiva dos historiadores – a participar das discussões, junto a outras associações de ensino. No CNE, nos reunimos com o presidente da Câmara de Ensino Superior, o Prof. Gilberto Gonçalves Garcia, para tratarmos dos possíveis desdobramentos das reformas sobre as diretrizes curriculares nacionais dos cursos de História. Nesse sentido, a ANPUH foi convidada a articular uma reunião com as demais associações representativas da área de humanas, junto ao CNE para iniciar essa discussão.

O objetivo destas reuniões foi provocar no MEC, CAPES e CNE, a necessidade de ampliar os debates sobre as novas diretrizes curriculares nacionais e seus impactos sobre a disciplina História e a formação dos professores nessa área, por meio do diálogo com instituições coletivas, como a ANPUH, AGB, dentre outras.

Representantes do GT Ensino de História e Educação da ANPUH também participaram de outra reunião no CNE, ocorrida em 10/10/12. Articulada pela SBPC, a reunião contou com presença de diversas associações científicas. A possível integração das disciplinas escolares em áreas comuns gerou amplas discussões. A divulgação do tema realizada por órgãos da imprensa promoveu repercussões tanto entre as sociedades científicas como nos espaços escolares, motivando manifestações que apontam para a incompatibilidade dos atuais processos formativos no âmbito do ensino superior com a suposta proposta de integração disciplinar que partiria do MEC.

Os conselheiros José Fernandes Lima (presidente do CNE) e Erasto Fortes Mendonça esclareceram aos presentes que as Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio mantêm as disciplinas escolares. Apresentando o relato da reunião realizada no dia 01/10 no MEC, os representantes da ANPUH reforçaram as falas dos conselheiros, informando que os integrantes do referido órgão governamental pretendem contar com o apoio das associações científicas para avançar no debate relativo às reformas curriculares.

Os encaminhamentos da reunião acerca da discussão das reformas curriculares para o Ensino Médio foram os seguintes: estreitamento das relações entre as associações científicas para a intervenção nas questões educacionais; articulação das associações científicas no sentido de participar do processo de discussão curricular; elaboração de um documento solicitando ao MEC um encontro do ministro com as associações científicas para o estudo de propostas, considerando sua viabilidade e potencial de implementação.

Como resultados desses encontros, apontamos a abertura do MEC, e dos demais órgãos visitados, ao diálogo sobre os temas levantados, reconhecendo a ANPUH como uma das entidades qualificadas para esse debate.

Como encaminhamentos dessas reuniões, estamos buscando outras entidades e associações para constituir um espaço de diálogo mais amplo relativo aos desdobramentos das novas Diretrizes Curriculares Nacionais; além disso, também estamos articulando formas de participação, que assegurem a mobilização coletiva nesse processo, enfatizando tratar-se de um debate público, que, necessariamente, expressará diferentes visões sobre o tema. Afinal, entendemos que uma de nossas tarefas, naquilo que cabe à 2ª secretaria e ao GT, é forjar os meios para que os associados da ANPUH-Brasil possam se manifestar e promover ações que deem visibilidade ao debate.


Carlos Augusto Lima Ferreira
2º secretário da ANPUH-Brasil (Gestão 2011-2013)

Arnaldo Pinto Jr, Paulo Mello e Ricardo Oriá
Coordenadores do GT de Ensino de História da ANPUH-Bra